Pousadas termais no Japão transformam quartos vazios em escritórios e atraem startups para trabalhar em ryokans

Ryokans no Japão transformam quartos vazios em escritórios e criam nova tendência de trabalho em águas termais


O Japão é conhecido por preservar tradições centenárias. Mas, em meio às transformações do mercado e da economia moderna, algumas dessas tradições estão encontrando novas formas de sobrevivência e inovação.

Um exemplo curioso vem da província de Shizuoka, onde pousadas termais tradicionais — conhecidas como ryokans — estão convertendo espaços pouco utilizados em escritórios corporativos.

A ideia pode parecer incomum à primeira vista. Mas para muitas empresas e empreendedores, trabalhar em um ambiente cercado por natureza, cultura japonesa e águas termais pode ser exatamente o que faltava para estimular criatividade e produtividade.


O escritório dentro de um ryokan

Em Izu-no-Kuni, uma cidade localizada na província de Shizuoka, um dos casos mais interessantes dessa transformação está acontecendo no ryokan Koyuro Ikawa, dentro do famoso resort de águas termais Izu Nagaoka Onsen.

Ali, um espaço que antes era utilizado como sala privada para refeições e encontros de hóspedes foi reformado e transformado em um escritório corporativo.

Hoje, o local abriga a empresa Innovation Partners Inc., uma startup sediada em Tóquio que trabalha com projetos de desenvolvimento regional.

Hayato Osada, de 31 anos, trabalha diariamente nesse ambiente.

Segundo ele, a experiência é bastante diferente de um escritório tradicional.

Quando precisa de uma pausa ou sente que a criatividade diminuiu, ele faz algo que dificilmente seria possível em um escritório comum:

vai até o onsen para relaxar e reorganizar as ideias.


Trabalho remoto com qualidade de vida

O conceito de transformar pousadas em escritórios está alinhado com duas grandes mudanças da sociedade japonesa:

  • a expansão do trabalho remoto

  • a busca por ambientes mais saudáveis para trabalhar

Em vez de ambientes urbanos fechados e estressantes, esses escritórios oferecem:

  • paisagens naturais

  • silêncio e tranquilidade

  • arquitetura tradicional japonesa

  • acesso a banhos termais

Para muitos profissionais, essa combinação ajuda a aumentar concentração, criatividade e bem-estar.


O declínio das excursões corporativas no Japão

Durante a chamada Era Showa (1926–1989), os resorts termais japoneses prosperaram graças às famosas viagens corporativas.

Empresas frequentemente levavam seus funcionários para:

  • eventos de confraternização

  • reuniões empresariais

  • festas corporativas

Essas viagens eram financiadas pelas próprias empresas.

Porém, após o estouro da bolha econômica japonesa no início dos anos 1990, o cenário mudou drasticamente.

Muitas companhias passaram a reduzir gastos com entretenimento corporativo.

Com isso, diversos ryokans começaram a enfrentar um problema comum:

quartos e espaços antes muito utilizados passaram a ficar vazios.


A solução: transformar quartos em escritórios

Para lidar com essa nova realidade, algumas pousadas começaram a adaptar seus espaços.

No caso do Koyuro Ikawa, a administração investiu cerca de 800 mil ienes em reformas, incluindo:

  • novos pisos

  • melhorias em paredes e tetos

  • adaptações para uso profissional

Hoje, os espaços são alugados como escritórios corporativos por valores que variam entre 200 mil e 300 mil ienes por mês, dependendo do tamanho e da vista.


Apoio do governo de Shizuoka

O governo da província de Shizuoka percebeu que essa ideia poderia se tornar um modelo de revitalização econômica.

Por isso, criou um programa piloto para apoiar estabelecimentos interessados em transformar áreas ociosas em escritórios.

Entre os espaços adaptados estão:

  • quartos de hóspedes com baixa ocupação

  • salas de karaokê

  • antigos salões de banquetes

Ao todo, quatro instalações foram selecionadas para participar desse programa experimental.


Um modelo que já deu certo em outro lugar

A inspiração para esse projeto veio de outro ryokan japonês bastante conhecido: Wataya Besso, localizado em Ureshino Onsen, na província de Saga.

Esse estabelecimento ganhou destaque após realizar uma recuperação econômica considerada exemplar, transformando áreas pouco utilizadas em escritórios e atraindo empresas de tecnologia.

O presidente do ryokan, Yoshimoto Kohara, foi convidado para atuar como consultor no projeto de Shizuoka.


Um novo futuro para os ryokans

Embora o modelo ainda esteja em fase inicial, o interesse já começou a aparecer.

Segundo autoridades locais, representantes de cerca de dez empresas visitaram as instalações e algumas demonstraram grande interesse em instalar seus escritórios nesses ambientes.

Se a tendência continuar, os tradicionais ryokans japoneses podem ganhar uma nova função no mundo moderno:

não apenas hospedar viajantes, mas também se tornar centros criativos de trabalho e inovação.

Uma mistura inesperada de tradição, cultura e futuro.

O que você acha deste novo modelo?




fonte: Asahi Shimbun 

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