Preconceito no Japão

Geralmente quando se fala de preconceito ou discriminação, logo vem à mente o problema que os negros enfrentam há tempos e que é bem conhecido no mundo ocidental. Acredito que seja o exemplo que está mais bem ilustrado na mídia hoje em dia. Há documentários, entrevistas com estudiosos do assunto, filmes sobre o tema e muitos livros discutindo o problema racial. Raça humana, aliás, é um conceito duvidoso e que não foi cientificamente comprovado.
Apesar de tudo, não há como negar que há diferença na aparência das pessoas. Tais características trazem consigo séculos de valores agregados que circundam pelo subconsciente coletivo.

Tudo isso é para ilustrar um tema complexo e que merece ser amplamente discutido: o Preconceito no Japão. É dito que os japoneses, pela sua própria história, são discriminatórios contra estrangeiros. Já ouvi diversas pessoas se queixarem da comunidade japonesa no Brasil. Presenciei preconceito dos dois lados e posso afirmar que existe sim uma forte discriminação ao que se refere à etnia nipônica. Porém, é nos brasileiros, descendentes ou não, que ela se manifesta mais visivelmente.


Preconceito; ou descriminação. No Mercado Japones.

http://www.youtube.com/watch?v=QOiAgmZPsCU&feature=youtu.be


Quanto se é estrangeiro, os valores se expandem. Você passa a ser julgado não só pela aparência, mas pela cultura, pelos valores e pela imagem do seu país. O Brasil tem fama de ser o país do futebol, do samba e das mulheres bonitas. Mas também tem fama de ser violento e pobre, criando assim a imagem do cidadão do terceiro mundo que vai atrás de dinheiro em países desenvolvidos, como o Japão. Por isso é comum associar um brasileiro à operário de fábrica ou funcionário menor de escritório quando muito. Poucos têm educação superior e a maioria vêm de lugares mais humildes do Brasil tentar a sorte no país de seus avós.

Não chegaria ao ponto de acusar o povo japonês de ser racista, mas há uma clara preferência pelo estrangeiro americano, inglês ou de qualquer outro país desenvolvido, principalmente os de língua inglesa. Diria que é culpa do domínio cultural que os americanos têm sobre as mídias de massa, como filmes e a música. Está na moda usar roupas com slogans em inglês como “I love NY“, “Chicago Rules” e afins. É cool ter um amigo estrangeiro, é descolado misturar palavras em inglês no meio das frases em japonês, muitos se deslumbram com os trejeitos do estrangeiro e não são poucas as garotas que andam pelas ruas de Tóquio acompanhadas de homens caucasianos com o dobro de sua altura. Os japoneses são loucos por aprender a falar inglês, escolas do idioma são mais comuns que padarias no Brasil. Todos querem ao menos uma vez na vida visitar os EUA.

É muito comum encontrar roupas com frases escritas em inglês que exaltam a cultura americana. Praticamente todas as lojas populares têm uma coleção somente com esse tema.
imagem do site da loja Right-on
Por outro lado, povos de países em desenvolvimento, como Filipinas, Índia, Vietnã e muitos outros sofrem um tratamento que beira a antipatia, para não dizer que são ignorados por completo. O Brasil faz parte desse grupo de países “fora da moda” mas causa certa curiosidade pela cultura não-asiática e pelo conhecido tratamento amigável que nós damos até mesmo ao mais completo desconhecido. Isso contudo não garante interação nem assegura privilégios.
No Japão as relações sociais são estabelecidas por grupos, é assim desde tempos imemoráveis. Se você é considerado membro do grupo, será tratado como igual. Mas se está fora, é um visitante. Não será mal-tratado, mas não passará de um eterno “desconhecido”. Esse pensamento vale para escolas, empresas, prédios e quaisquer outros lugares onde um grande número de pessoas interagem entre si. Por isso é comum não conseguir se misturar com japoneses, o que causa a incômoda sensação de que você não é bem vindo.
Apesar dos pesares devo confessar que venho me surpreendendo com a cordialidade dos japoneses. Depois de ouvir tantas histórias de racismo no Brasil, estive preocupado com minha aceitação nessa sociedade famosa por proteger seus valores. Porém o que vejo é um povo muito curioso e amigável e até agora não me causou nenhum tipo de dano proveniente do preconceito. Embora ele exista de fato, principalmente entre os descendentes sem mistura, que são cobrados a saber a língua e a cultura como um nativo. Porém, se você um dia vier conhecer essa terra tão confusa, tenho certeza que será tão bem tratado que sentirá saudades daqui pelo resto da vida, apesar dos pesares...
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